27 de março de 2013


A culpa é sempre da janela?

“Não vemos as coisas como elas são. Vemos como nós somos.” - Anais Nin

Há algumas décadas, cientistas afirmaram que a noite é escura porque o universo é muito jovem e as luzes que existem na imensidão das galáxias ainda não atingiram distâncias tão longínquas.
Se a luz do universo ainda não iluminou o céu, o que dizer então, da atual era jurássica das redes sociais virtuais? O mais estranho nas pesquisas que mostram o efeito negativo das postagens nesse universo virtual, que despertam sensações ruins como ciúmes e inveja.
Tudo que se transforma em meio de comunicação de massa ganha adeptos e muitos críticos. Os aspectos negativos e positivos são julgamentos automáticos, pois os analistas de mídia social não são monges tibetanos e portanto, se as redes despertam infelicidade, ela está nos olhos de quem vê, enraizada na mente que projeta e interpreta dessa forma as postagens na rede. Uma profecia que se cumpre por si, pois essa é a expectativa.
Numa rede social, o ponto forte é a interação.  Porém, a maioria ainda acha que interagir é postar para obter a maior quantidade de “curtir” e “compartilhar”, ignorando opiniões, críticas e comentários contrários. Insistem na mão única e em nome do pseudo-marketing pessoal, que fatalmente leva ao esgotamento físico e mental, além da ansiedade e sensação de perda, muito maior que a compensação que se busca passando horas valiosas sem fazer algo relevante.
Apesar dos arautos do apocalipse que insistem em buscar indícios sobre o fim dos tempos, a verdade é que o mundo ainda é muito jovem para entender sua própria natureza. E a total falta de sensatez em muito do que é visto nas redes é apenas a continuação daquela velha opinião sobre os efeitos nocivos da televisão, como opção para iletrados.
Assim, a culpa continua sendo da janela, que deixa as pessoas vendo a realidade, sem dar dicas, seguindo a sábia afirmação do Chacrinha: “Vim para confundir e não para explicar.”

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