A culpa é sempre da janela?
“Não vemos as coisas como elas são. Vemos como nós somos.” -
Anais Nin
Há algumas décadas, cientistas afirmaram que a noite é
escura porque o universo é muito jovem e as luzes que existem na imensidão das
galáxias ainda não atingiram distâncias tão longínquas.
Se a luz do universo ainda não iluminou o céu, o que dizer
então, da atual era jurássica das redes sociais virtuais? O mais estranho nas
pesquisas que mostram o efeito negativo das postagens nesse universo virtual,
que despertam sensações ruins como ciúmes e inveja.
Tudo que se transforma em meio de comunicação de massa ganha
adeptos e muitos críticos. Os aspectos negativos e positivos são julgamentos
automáticos, pois os analistas de mídia social não são monges tibetanos e portanto,
se as redes despertam infelicidade, ela está nos olhos de quem vê, enraizada na
mente que projeta e interpreta dessa forma as postagens na rede. Uma profecia
que se cumpre por si, pois essa é a expectativa.
Numa rede social, o ponto forte é a interação. Porém, a maioria ainda acha que interagir é
postar para obter a maior quantidade de “curtir” e “compartilhar”, ignorando
opiniões, críticas e comentários contrários. Insistem na mão única e em nome do
pseudo-marketing pessoal, que fatalmente leva ao esgotamento físico e mental,
além da ansiedade e sensação de perda, muito maior que a compensação que se
busca passando horas valiosas sem fazer algo relevante.
Apesar dos arautos do apocalipse que insistem em buscar
indícios sobre o fim dos tempos, a verdade é que o mundo ainda é muito jovem
para entender sua própria natureza. E a total falta de sensatez em muito do que
é visto nas redes é apenas a continuação daquela velha opinião sobre os efeitos
nocivos da televisão, como opção para iletrados.
Assim, a culpa continua sendo da janela, que deixa as
pessoas vendo a realidade, sem dar dicas, seguindo a sábia afirmação do
Chacrinha: “Vim para confundir e não para explicar.”
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