Ainda há esperança para a Ética
O século 21 mostra mais o renascimento de antigas teorias, com o resgate dos valores
humanos, sem o estabelecimento de uma nova ordem mundial legítima.
Apesar do período promissor em vários cenários no Brasil, há euforia exagerada no misto de
complexo de Poliana e radicalismo de fachada. Corruptos sob a mais envernizada face sem
rubor reassumem seus cargos legitimados nas urnas, apesar das severas críticas do povo, que é sempre manipulado como arquétipos do idealismo político.
O grande problema continua sendo o que os filósofos da história antiga, como Aristóteles e
seus discípulos já conheciam: perceber, entender e domar o próprio ego. A questão não é de ordem técnica (conhecimento, capacitação) e sim, de intenções e interesses. Basta lembrar
que crimes cujos autores demonstram intenção recebem sentenças com penas mais pesadas.
Pode ser um bom parâmetro para medir o poder (negativo) do ego.
Líderes carismáticos sucumbem à tirania e resumem seus objetivos à felicidade utilitária,
em que tudo e todos são usados para garantir a realização de seus anseios. Aristóteles
considerava a forma mais simplória e limitada de felicidade, incompatível com quem assumia
responsabilidades.
No entanto, é a prática mais comum. O carisma promove resultados eleitorais, conforme
verificado por Carl Jung, que criou a teoria sobre o inconsciente coletivo, aplicada e comprovada na prática pelo responsável pela propaganda nazista, Joseph Goebbels, que aproveitou-o para promover sua versão dos fatos alicerçada e apoiada pela convicção popular.
Os movimentos de conscientização política em redes sociais são muito válidos, mas não é
suficiente curtir e compartilhar postagens. As leis são legítimas. Porém, manipuláveis com
várias emendas e artifícios, protegem a corrupção em diversas formas. Portanto, qualquer
mudança requer muito mais engajamento nas ruas e espaços reais, além das adesões virtuais.
São passos fundamentais, mostrando que ainda há esperança e assim, talvez o futuro seja
muito diferente do que os grandes filósofos imaginaram, mas pode ser bem próximo ao ideal
de humanidade almejado por eles.
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