11 de janeiro de 2012

Ciúme é sempre uma dor desnecessária


Ciúme é sempre uma dor desnecessária

Ser ciumento não é uma característica de personalidade e sim uma maneira sofrida de ver a vida.

Temos o hábito de aceitar certas maneiras de “ser” ,  pelo simples fato de nos acomodar em sermos algo que não queremos ou não tentamos mudar. Os sentimentos são necessários para sobrevivência, pela segurança, pelo prazer. Sentimentos como ciúme são muito parecidos com a inveja. É um aviso que a mente não está em sintonia. Quando estamos com medo de alguma coisa geralmente ela tem a mesma característica do ciúme e da inveja.
A falta de auto-estima cria um medo terrível de não ser capaz, de perder o outro de ser menos que o outro e então gera esta avalanche de sentimentos desnecessários. Muita gente acredita que um pouco de ciúme é legal para a relação. Dá um certo charme. Mas não acho que seja verdade.
“Sob esse ponto de vista, ciúme pode ser só uma senha que você dá para o outro quando aparece um rival e isso serve para preservar a relação ou pode se transformar num sentimento que corrói, tortura, atormenta”.
Ciúme é um veneno que dia-a-dia consome a alma e as relações. É quase uma relação masoquista. Você sofre e faz o outro sofrer com  visões do nada, com situações forjadas pela sua própria mente. Quando a insegurança é maior que a vontade de crescer e amadurecer, o ciúme é o único alerta capaz de fazer com que sua mente te liberte da falta de vontade de viver consigo mesmo.
O amor incapaz quer prender o outro perto de si numa tentativa inútil de eternizar um sentimento que é necessariamente modificado ao longo da vida.
”Em Paraíso Perdido , o poeta inglês John Milton (1608-1674) tinha razão em situar a inveja como a emoção do diabo, pelo fato de a inveja não ter a mesma finalidade de muitas outras emoções. Ela em geral não nos coloca em estado de alerta, não nos motiva a agir, não nos libera, não nos modifica. Costuma-se dizer que a inveja é a extensão ou degradação do ciúme”.
Os sentimentos de privação , vêem embutidos no medo, na raiva e na dor, como o ciúme e a inveja. Não é possível ser feliz se existe privação. Todas as vezes que nos sentimentos privados de alguma coisa, nos sentimos pressionados e portanto vemos os fatos de quem vê de baixo para cima. Quem vê de baixo para cima não se sente confortável e imediatamente se sente no direito de revidar, destruir, modificar o todo. 
” A escritora americana Nancy Friday , em seu livro Ciúmes (Editora Record), analisa a questão em profundidade e mostra que o ciúme e a inveja tiram o nosso prazer de viver. Vivemos perto da felicidade, mas somos incapazes de usufrui-la. Se você entrar no cofre emocional de outra pessoa que sente inveja, vai descobrir que mesclado com o sentimento de privação existe também o sentimento de impotência”. Daí vem a raiva. Isso pode criar um círculo vicioso: privação, impotência, raiva, inveja...Para que o elo da saúde da relação se torne verdadeiro, é preciso olhar o outro com admiração e transformar estes sentimentos sombrios em energia construtora.

Crédito: Maria Helena Matarazzo é sexóloga e autora de Namorantes, da Editora Mandarim.

 “ Vá aonde seu corpo e a sua alma desejam ir. Não deixem que escolham por você.Quando você sentir que encontrou um caminho, que é por ali,então mantenha-se firme no caminho que você escolheu, e não deixe ninguém desviá-lo dele.” Joseph Campell -  O poder do mito 

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