A origem da palavra violência vem do Latim “volere” que é volição, vontade. Toda força que move um ser, seja mineral, vegetal, animal ou humano, o movem sempre “para algum lugar”, mesmo que esse movimento não chegue a ter expressão física visível, o que dá “direção” a qualquer movimento, são intenções. Até uma forma física expressa uma intenção que é resultado de um movimento das forças de quem a cria, movimento este que chega ao repouso na forma. O mesmo ocorre no crescimento de um corpo onde no caso “o artista” é a natureza criadora que tem uma sabedoria muito mais completa do que a da nossa consciência intelectual moderna.
Poderíamos dizer que a s intenções são o caminho para as coisas, são como a vida, o espírito das coisas. Nos seres humanos também é assim, com a diferença de que as intenções no homem podem ser conscientes ou inconscientes.
Aquilo que normalmente consideramos “nossas intenções” nem sempre o são realmente. Uma intenção para que seja própria, precisa ser gerada e sustentada por motivos a partir do Eu. E o que acontece é que vivemos identificados com muitas coisas que nos dão a ilusão de nós mesmos. Grande parte do tempo vivemos identificados com motivos que não nos movem à partir desse espaço interior onde podemos nos auto determinar. Na maior parte do tempo somos determinados pelo fluxo natural dos fatos e por tudo que vive ao nosso redor, inclusive aquilo que nos influencia à partir da nossa própria fisiologia corpórea, que de certa forma ainda é algo fora de nós, pois o que em mim sou eu mesmo?! Se não caminho para o auto conhecimento, permaneço identificado com tudo que entra no lugar do Eu.
Afinal, tudo que entra em nosso corpo deveria promover, servir as intenções do dono do corpo e não atravancar, aprisionar a intenção sagrada do ser que muitas vezes vive oculta uma vida toda até mesmo do próprio ser. Essa é uma grande questão que envolve a liberdade no mistério da vontade humana. E para compreende-la precisamos considerar o momento diferenciado de consciência que a humanidade vive, que a expõe a tantos impulsos que de certa forma entram no lugar do Eu, pedindo que esse Eu se desenvolva, se estabeleça, se liberte da escravidão, devolvendo o lugar a vontade humana, criando assim a liberdade na terra. Diante de tanta violência, precisamos colocar cada vez mais intenções nas nossas vontades para que outras vontades não tenham poder sobre nós. Essa é uma situação um pouco nova para a humanidade que antes vivia determinada a partir de fora pelas tradições, padrões morais e para que o ser humano pudesse criar o bem a partir de si mesmo, esses padrões, essas tradições tiveram que ruir e o ser terá que “sozinho” separado da vontade do espírito da natureza, isolado na solidão do materialismo, lembrar por si mesmo de sua origem espiritual. Historicamente tudo foi intencionalmente preparado para que o homem chegasse onde ele está hoje. Esse é o palco necessário para o desenvolvimento da liberdade.
O pensar puramente intelectual é um pensar sem vida e o mistério de ressurreição está intimamente ligado ao pensar vivo que cria o novo, mesmo a partir da morte. Vamos precisar de cada um que for despertando para essas questões, para ajudar nessa mudança. A educação precisa ser humanizada pois a violência está entrando no lugar daquilo que precisa e está em tempo de surgir, preencher o homem para que ele venha a ser verdadeiramente homem.
O ser humano hoje está pronto para esse confronto com a violência, ela está aí também para nos dar a oportunidade de despertar a vontade humana para que o homem possa criar o bem a partir da sua livre vontade! Pois vai depender dessa questão da liberdade que o homem continue ou não o ser humano.
Nenhum comentário:
Postar um comentário